De Paola
Periodontia

Doenças periodontais e a relação com parto prematuro .
 

 Apesar dos grandes esforços médicos, dos recursos terapêuticos e intervenções de saúde pública para reduzir a prematuridade, sua incidência tem aumentado nas últimas duas décadas. Sua prevalência varia, em geral, de 6% a 15% do total de partos, dependendo da população estudada. Essa variação nas taxas de prematuridade  parece estar relacionada às diferentes condições socioeconômicas e culturais das gestantes, diferenças geográficas, fatores étnicos e tipos diversos de assistência pré-natal disponíveis durante o período gestacional.

A associação de parto prematuro com a periodontite em mulheres grávidas está demonstrada em estudos realizados em diversos países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Hungria, Croácia e Holanda. Nesses estudos, o fator de risco variou entre 2,7 e 8,9.

 

Por outro lado, em 1997, Offenbacher e colaboradores, ao realizarem um estudo observacional, mostraram ser verdadeira a relação entre os eventos. As mães com doença periodontal apresentaram risco 7,5 vezes maior de nascimentos prematuros com bebês de baixo peso.

 

 A hipótese que associa uma infecção ao nascer prematuro é a de que os próprios microorganismos ou suas toxinas, como endotoxinas (lipopolissacarídeos) podem alcançar a cavidade uterina durante a gestação pela corrente sanguínea, a partir de um foco não-genital ou por meio de uma rota ascendente do trato genital inferior. Esses microorganismos ou seus produtos, ao interagirem, estimulam a produção de mediadores químicos inflamatórios – as prostaglandinas (PGE2) e o fator necrose tumoral α (FNT α) – pela gestante, que alcançam níveis elevados (durante a presença de processos infecciosos), acelerando a gestação (promovendo a dilatação cervical, a contração do músculo uterino e o início do trabalho de parto e nascimento propriamente dito).

 

Por meio de uma série de experimentos em animais foi possível demonstrar que, embora o risco obstétrico esteja aumentado perante a presença de processos infecciosos agudos, a exposição crônica de patógenos bucais aumenta a possibilidade de complicações na prenhez de animais.Os primeiros trabalhos com modelos de ratazanas prenhes demonstraram que a presença de microorganismos orais durante a gravidez resultavam em retardo de crescimento fetal, demonstrado com a utilização de modelos de infecção subcutânea crônica com Porphyromonas gingivalis, bem como modelos de periodontite experimental. Essas bactérias estão associadas à doença periodontal.


    Desta forma, estes dados fornecem importantes evidências para validar a possibilidade de que infecções orais distantes, mesmo apresentando baixa virulência, também podem desencadear a inflamação da unidade maternofetalhumana de forma análoga à vista com as infecções do trato genitounitário, por exemplo.

 

Infecções em diversas partes do corpo podem gerar uma resposta inflamatória sistêmica e possuem potencial para induzir o nascimento de bebês prematuros e/ou baixo peso.Alguns estudos sugerem, inclusive, qual a microbiota de algumas infecções vaginais, um fator de risco conhecido, é composto basicamente por microorganismos anaeróbios e oportunistas, tendo perfil similar a microbiota encontrada nos estágios avançados da doença periodontal.

 

No Brasil, dados divulgados pela Fundação Sistema de Análise de Dados (SEDAE) revelaram que no Estado de São Paulo a prevalência de recém-nascidos prematuros atingiu cerca de 11% do total de nascidos vivos no ano de 1993. Segundo o DATASUS, em 1999 a prevalência de partos prematuros foi de 6,23%. Em um levantamento feito pela Universidade Federal de São Paulo, a prevalência de partos prematuros ficou em torno de 20 a 22% em 1995.

 

O cirurgião-dentista pode colaborar realizando um exame periodontal nas pacientes grávidas, para que este número não aumente ainda mais. Se confirmada a presença da periodontite, deve entrar em contato com o médico obstetra da paciente e tratá-la normalmente, de preferência durante o segundo trimestre da gravidez.

Segundo a Academia Americana de Periodontia, 2004, todas as mulheres grávidas ou que pretendem engravidar devem se submeter a um exame bucal. Medidas preventivas terapêuticas apropriadas, se indicadas, devem ser efetuadas e podem ter um efeito benéfico na saúde de seus bebês.
 

O protocolo de atendimento recomendado às pacientes gestantes é:

  • Primeiro trimestre : Exame clínico para identificação da presença ou não de doença periodontal. Instruções sobre higiene oral e controle de placa bacteriana. As gestantes que não forem portadoras de periodontopatias, devem receber instruções para retornarem apenas para terapia de manutenção.
  •  Segundo Trimestre: tratamento da doença periodontal e terapia de manutenção nas gestantes que não possuem doença periodontal.
  •  Terceiro Trimestre: terapia de manutenção.

O aumento dos hormônios progesterona e estrogênio acarretam mudanças fisiológicas e imunológicas importantes no organismo da gestante. Tais condições podem ser responsáveis pelo desenvolvimento da doença periodontal, gengivite gravídica e do granuloma piogênico, se já houver a doença pré-existente.
 

É necessário o acompanhamento odontológico para as   mulheres grávidas, com intenção de minimizar os efeitos potencializadores da gestação sobre sua condição periodontal, por meio de orientação de higiene oral e tratamento periodontal durante o programa pré-natal. O estabelecimento da saúde oral é importante durante a gravidez, no intuito de minimizar os efeitos da gestação sobre a condição bucal, como também os resultados perinatais indesejáveis e melhorar a qualidade de vida e o bem-estar da gestante e do bebê.


Referências Bibliográficas


LINDHE, JAN. Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral. Quarta edição. Editora Guanabara Koogan.
Revista PERIO NEWS, ABRIL/MAIO/JUNHO 2008.
Cristiane Pingarilho
Mestranda em Saúde da Família
Universidade Estácio de Sá

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